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sexta-feira, maio 08, 2009

sexta-feira, abril 03, 2009

Palavra Favorita

Palavras! Todos as dizem mesmo sem saber o que elas significam. Dizem-nas, muitas vezes, porque as apanham com a convivência com outras pessoas. Com isso, essas mesmas palavras são tidas como “favoritas”.

Cresci a ouvir ao início de cada frase da minha mãe (pelo menos as frases que me eram dirigidas), a palavra NÃO. Ao longo da vida e mesmo já mulher, com lar constituído, fui ouvindo sempre: NÃO.

Por influência ou NÃO, essa palavra está frequentemente presente no meu dia-a-dia. Nas conversas banais com outras pessoas, ao lidar com os alunos, etc.

Gramaticalmente sabemos que é uma partícula negativa. Sendo negativa, porque a usamos tanto? Porque NÃO usar com mais frequência uma partícula afirmativa? Significa que NÃO estamos satisfeitos com o que a vida nos tem oferecido ou com o que procuramos!

Gostaria de dizer menos vezes NÃO. Mas NÃO consigo. Ela sai-me quase como que por instinto. Mesmo quando estamos a aconselhar alguém, temos sempre a tendência para dizer: “NÃO achas que deves…”, ou “acho que NÃO deves…”. Mesmo que esse conselho seja bom, que seja para melhorar alguma coisa, a palavra NÃO está sempre presente.

sábado, março 21, 2009

CESÁRIO VERDE



José Joaquim Cesário Verde nasceu em Lisboa em 25 de Fevereiro de 1855, faleceu no Lumiar em 19 de Julho de 1886.

Filho do lavrador e comerciante José Anastácio Verde e de Maria da Piedade dos Santos Verde, Cesário matriculou-se no Curso Superior de Letras em 1873, frequentando por apenas alguns meses o curso de Letras. Ali conheceu Silva Pinto, grande amigo pelo resto da vida. Dividia-se entre a produção de poesias (publicadas em jornais) e as actividades de comerciante, herdadas do pai.

Em 1877 lhe começou a dar sinais a tuberculose, doença que já lhe tirara o irmão e a irmã. Estas mortes servem de inspiração a um de seus principais poemas, Nós (1884).

Tenta curar-se da tuberculose, sem sucesso; vem a falecer no dia 19 de Julho de 1886. No ano seguinte Silva Pinto organiza O Livro de Cesário Verde (disponível ao público em 1901), compilação de sua poesia.

De poesia delicada, Cesário empregou técnicas impressionistas, com extrema sensibilidade ao retratar a Cidade e o Campo, seus cenários predilectos. Evitou o lirismo tradicional, expressando da forma mais natural possível.

Para Cesário Verde, ver é perceber o que se esconde na realidade, é captar as impressões que as coisas lhe deixam e, por isso, percepciona o real minuciosamente através dos sentidos e reflecte essa mesma impressão que o exterior deixa no interior do sujeito poético. Ou seja, o real exterior é apreendido pelo mundo interior que o interpreta e recria com grande nitidez, numa atitude de captação de real pelos sentidos, com predominância dos dados da visão: a cor, a luz, o recorte e o movimento.

A supremacia exercida pela cidade sobre o campo leva o poeta a tratar estes dois espaços em termos dicotómicos. O contacto com o campo na sua infância determina a visão que dele nos dá e a sua preferência. Ao contrário de outros poetas anteriores, o campo não tem um aspecto idílico, paradisíaco, bucólico, susceptível de devaneio poético, mas sim um espaço real, concreto, autêntico, que lhe confere liberdade. O campo é um espaço de vitalidade, alegria, beleza, vida saudável... Na cidade, o ambiente físico, cheio de contrastes, apresenta ruas macadamizadas/esburacadas, casas apalaçadas (habitadas pelos burgueses e pelos ociosos) quintalórios velhos, edifícios cinzentos e sujos... O ambiente humano é caracterizado pelos calceteiros, cuja coluna nunca se endireita, pelos padeiros cobertos de farinha, pelas vendedeiras enfezadas, pelas engomadeiras tísicas, pelas burguesinhas... É neste sentido que podemos reconhecer a capacidade de Cesário Verde em trazer para a poesia o real quotidiano do homem citadino.

Ao ler-se o poema “De Tarde”, pertencente a “Em Petiz”, é visível o tom irónico em relação aos citadinos, mas onde o tom eufórico também sobressai, ao percorrer os lugares campestres ao lado da sua “companheira”. A preferência do poeta pelo campo está expressa nos poemas “De Verão” e “Nós” (o mais longo), onde desaparecem a aspereza e a doença ligadas à vida citadina e surge o elogio ao ambiente campesino. A arte de Cesário Verde é, pois, reveladora de uma preocupação social e intervém criticamente. O campo oferece ao poeta uma lição de vida multifacetada (por exemplo, os camponeses são retratados no seu trabalho diário) que ele transmite com objectividade e realismo. Trata-se, pois, de uma visão concreta do campo e não da abstracção da Natureza.

A força inspiradora de Cesário é a terra-mãe, sendo nela que Cesário encontra os seus temas. É por isto que, habitualmente, se associa o poeta ao mito de Anteu.

sábado, fevereiro 28, 2009

Cidade de Deus









Desenvolva a seguinte reflexão sobre:

Ligação pobreza/crime (inevitabilidade ou não) a partir dos cursos de vida das duas personagens do filme: Buscapé e Dadinho.

MR.: Este filme mostra a realidade, ou um pouco da realidade, das favelas no Brasil. Na minha opinião é este tipo de filmes que fazem com que em Portugal se comecem a formar também gangs bairristas, só faltando os chamados “vigias” anunciando a chegada de alguém que não pertence ao bairro, se é que não existe já!

Mostra uma realidade de pobreza que muitas vezes está aliada ao crime e droga. A falta de condições sanitárias e infra-estruturas no bairro, longe de tudo, sem sequer um transporte público, uma escola, um posto de saúde. Na realidade sem nada, apenas um amontoado de casas sem as mínimas condições.

Falando das personagens Buscapé e Dadinho amigos de infância mas que tomam, mais tarde, rumos diferentes.

Buscapé: rapaz pobre, sensível, que cresceu num ambiente bastante violento, mas com um objectivo na vida: ser fotógrafo. Para alimentar esse sonho, continuou a estudar, arranjou um emprego, sem que nunca tivesse deixado de viver no bairro onde sempre viveu, lutando sempre para que não caísse no mundo do crime. Foi graças a uma máquina oferecida por Bené, sócio de Dadinho, que ele concretiza esse sonho, começando por fotografar precisamente o gang de Dadinho, mais tarde “Zé Pequeno”.

Dadinho: rapaz igualmente pobre, mas com objectivos totalmente diferentes. Seguindo o exemplo do gang “Trio Ternura”, rapidamente se tornou líder de um gang, optando pelo mundo do tráfego de droga. Com a força das armas, tomou num só dia o controlo de todos os postos de venda de droga daquele bairro tornando-se num bandido temido, mas respeitado pelos habitantes do bairro pela segurança que ele oferecia. Protegido por um exército de crianças e adolescentes, e com um arsenal de armas à disposição, não permitia (que) roubos dentro da favela.

Duas personagens pobres, que cresceram no mesmo bairro, ambos com sonhos, mas cada um com o seu objectivo: um enveredou pelo mundo do crime, o outro optou por uma profissão que lhe desse dinheiro honesto. Isto prova que nem sempre o crime, aliado à pobreza, é inevitável. Pode-se sempre levar uma honesta, íntegra, mesmo sendo pobre e muitas vezes com um pouco de luta consegue-se ter um futuro promissor.