
Falar de José Craveirinha, é falar de poesia. É falar de África. África sofrida, África suplicante, ansiosa de liberdade!
Escritor moçambicano, José João Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922, em Lourenço Marques (actual Maputo). Filho de pai algarvio cuja família partira para Moçambique em 1908 em busca de fortuna, estudou na escola "Primeiro de Janeiro", pertencente à Maçonaria. Ainda adolescente, começou a frequentar a Associação Africana.
Foi jornalista durante muitos anos, tendo usado os pseudónimos de Mário Vieira, J.C., J. Cravo, Jesuíno Cravo, entre outros. Iniciou a sua carreira no jornal «O Brado Africano», e posteriormente trabalhou nos jornais «Notícias» e «Tribuna», colaborando com artigos sobre a cultura moçambicana.
Faleceu a 6 de Fevereiro de 2003, na África do Sul. Os seus restos mortais repousam na cripta da Praça dos Heróis, na capital de Moçambique.
Embora escrevesse como colaborador para vários jornais e revistas, sua primeira obra – Xibugo –, só saiu (Lisboa) em 1964. Cântico a um Deus de Catrane (Milão) em 1966. Karingana Ua Karingana (Maputo) em 1974. A Palavra é Lume Aceso (Maputo) em 1980. Entre outros.
Grande parte da sua poesia ainda se mantém dispersa na imprensa, não tendo sido incluída nos livros que publicou em ida. Outra parte permanece inédita e faz parte do seu volumoso espólio.
Apesar de a sua obra reflectir a influência dos surrealistas, é fortemente marcada por todo um carácter popular e tipicamente moçambicano. A sua poesia possui um carácter social que radica nas camadas mais profundas do povo moçambicano. Escritor de ligações afectivas com Portugal, foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1991 e recebeu condecorações dos presidentes de Portugal e de Moçambique, Jorge Sampaio e Joaquim Chissano respectivamente.Vice-presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, escritor galardoado com o prémio "Vida Literária" da Associação de Escritores Moçambicanos, foi homenageado no dia 28 de Maio de 2002, na sequência da iniciativa do governo moçambicano em consagrar o ano de 2002 a José Craveirinha.
José Craveirinha nasceu e morreu poeta, tendo oferecido à língua portuguesa durante os seus 80 anos de vida um estilo literário sem precedentes.
Poema apresentado, relacionado com o tema: “Grito Negro”.
Eu sou o carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
E tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Neste poema, Craveirinha retrata o trabalho braçal e o esforço do negro que trabalhava nas minas de carvão. Carvão que, embora extraído pelas suas mãos, só poderia ser utilizado pelo patrão. Para uso próprio e para vender, enquanto ele, o negro, não poderia servir-se dele, pois estaria sujeito a castigos severos.
Mas o poema também fala desse fóssil produzido pela Terra e que durante décadas abasteceu as centrais de electricidade que forneciam energia às cidades, ao mesmo tempo que enriquecia muita gente.
“Grito Negro” é, portanto, o retrato falado da escravidão do homem e quiçá do próprio fóssil.
Escritor moçambicano, José João Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922, em Lourenço Marques (actual Maputo). Filho de pai algarvio cuja família partira para Moçambique em 1908 em busca de fortuna, estudou na escola "Primeiro de Janeiro", pertencente à Maçonaria. Ainda adolescente, começou a frequentar a Associação Africana.
Foi jornalista durante muitos anos, tendo usado os pseudónimos de Mário Vieira, J.C., J. Cravo, Jesuíno Cravo, entre outros. Iniciou a sua carreira no jornal «O Brado Africano», e posteriormente trabalhou nos jornais «Notícias» e «Tribuna», colaborando com artigos sobre a cultura moçambicana.
Faleceu a 6 de Fevereiro de 2003, na África do Sul. Os seus restos mortais repousam na cripta da Praça dos Heróis, na capital de Moçambique.
Embora escrevesse como colaborador para vários jornais e revistas, sua primeira obra – Xibugo –, só saiu (Lisboa) em 1964. Cântico a um Deus de Catrane (Milão) em 1966. Karingana Ua Karingana (Maputo) em 1974. A Palavra é Lume Aceso (Maputo) em 1980. Entre outros.
Grande parte da sua poesia ainda se mantém dispersa na imprensa, não tendo sido incluída nos livros que publicou em ida. Outra parte permanece inédita e faz parte do seu volumoso espólio.
Apesar de a sua obra reflectir a influência dos surrealistas, é fortemente marcada por todo um carácter popular e tipicamente moçambicano. A sua poesia possui um carácter social que radica nas camadas mais profundas do povo moçambicano. Escritor de ligações afectivas com Portugal, foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1991 e recebeu condecorações dos presidentes de Portugal e de Moçambique, Jorge Sampaio e Joaquim Chissano respectivamente.Vice-presidente do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, escritor galardoado com o prémio "Vida Literária" da Associação de Escritores Moçambicanos, foi homenageado no dia 28 de Maio de 2002, na sequência da iniciativa do governo moçambicano em consagrar o ano de 2002 a José Craveirinha.
José Craveirinha nasceu e morreu poeta, tendo oferecido à língua portuguesa durante os seus 80 anos de vida um estilo literário sem precedentes.
Poema apresentado, relacionado com o tema: “Grito Negro”.
Eu sou o carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
E tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Neste poema, Craveirinha retrata o trabalho braçal e o esforço do negro que trabalhava nas minas de carvão. Carvão que, embora extraído pelas suas mãos, só poderia ser utilizado pelo patrão. Para uso próprio e para vender, enquanto ele, o negro, não poderia servir-se dele, pois estaria sujeito a castigos severos.
Mas o poema também fala desse fóssil produzido pela Terra e que durante décadas abasteceu as centrais de electricidade que forneciam energia às cidades, ao mesmo tempo que enriquecia muita gente.
“Grito Negro” é, portanto, o retrato falado da escravidão do homem e quiçá do próprio fóssil.

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